27/10/2010

Casaldáliga

Tomo a liberdade de postar este texto, do Zé Vicente, uma pessoa fantástica, com a alma tão bela quanto as belas músicas que compõe (não fosse assim, não teria obras tão lindas).

O Zé foi visitar Dom Pedro... bom... segue o texto dele...


O beijo de Pedro
 
Zé Vicente, poeta e cantor, relata sua visita ao bispo dom Pedro Casaldáligainternado em Goiás e publicado pelo sítio do Cimi, 26-10-2010.
Eis o relato.
A estrada foi longa e já era meio dia de 21 de outubro. Itamar, nosso companheiro motorista, estacionou a Kombi na sombra de um Ipê, pleno das primeiras folhas, após passagem das primeiras chuvas no cerrado goiano.
Entramos no pequeno hospital de Ceres, para acolhermos a graça da visita tão esperada.
Ali, sentado numa cadeira, tomando soro, frágil no corpo, luminoso na alma, você,Irmão Pedro, nos acolhe com o brilho de sempre, com certeza mais transfigurado ainda, pelos desafios da idade e das "irmãs doenças" que vão chegando na estação que a vida te apresenta.
Um abraço muito especial a cada um de nós - Eliane, cantora; Heriberto, músico; Itamar e eu, a quem me chamas carinhosamente de "Moleque da Caminhada".
Emocionado, te beijei na fronte. Beijo comunitário, em nome de tanta gente que me encarregou desta visita.
Mesmo pronto para viagem a Goiânia, onde faria os últimos exames antes de uma cirurgia, você, nosso 
Pedro, não parou de falar, com palavras e os gestos tão característicos -querendo saber de nossas ações de arte, lembrou que espera ouvir a música que compus sobre o teu poema a São José, segurou minhas mãos e falou baixinho- "dias 16 e 17 de julho de 2011, no Santuário dos Mártires, Ribeirão Cascalheira...".
Brinquei sério e crente: "Você tem obrigação de estar vivo até lá"!
Tua resposta serena e sorridente: "De qualquer maneira é Páscoa!", tua expressão soou como um misto de código e profecia.
Ao Heriberto, de origem Tabajara, falou: "um índio!" E contando os dedos exclamou: "Língua! Memória! Terra...", revelando a tua paixão crônica pelos povos a quem amaste incondicionalmente.
Para Eliane, mais gestos de carinho.
Menos de quinze minutos de relógio, ampliados na divina dimensão cósmica, para a vastidão eterna do tempo-amor ao qual pertencemos todos e todas as criaturas.
Saímos rápido, para a 4ª Romaria dos Mártires, em Carmo do Rio Verde, em memória dos 25 anos do assassinato de Nativo da Natividade.
Mesmo que o nosso coração pedisse para continuar um pouco mais contigo ali em vigília de amizade e cumplicidade, a missão de arte-vida nos avisava para seguir.
No Pátio do Hospital, recolhi várias sementes do Ipê Amarelo, que envolvi num lenço de papel. Sementes ungidas, como nossa fronte, com o teu beijo e nossas lágrimas da mais pura e agradecida emoção, ao Divino e a você: Pedro nosso, de tantos povos, do universo, do Deus da Vida Plena, sempre em estado de Páscoa permanente!


Amém! Axé! Aweré! Aleluia!
Fortaleza, 25 de outubro de 2010.

14/10/2010

o que fala a palavra, o que fala a Palavra?

Antes, sendo noite,
Já era a Palavra.
No vento e nas flautas.
Falando nos montes, falava nas águas.
Plantava, colhia, dançava.
Falava na vida, a vida;
Na morte, a terra sem males falava.
E veio a Palavra se dizendo dia,
Cercada de armas, forrada de Bíblia.
E matava a vida, e a morte falava.
Era má notícia.
Nas mãos da palavra.
Agora é hora de ser simplesmente
Palavra a palavra.
a Boa Notícia desnuda e amada,
Vestida de Bíblia, despida de armas,
Cheirosa de povo
No vento, no sangue, nas flautas.
(Dom Pedro Casaldáliga)



Este homem fascinante está com a saúde debilitada, internado em Goiânia.
Diante da onda neoconservadorista da Igreja Católica (o que pessoalmente me faz crer que o colapso está eminente, uma vez que não atrai mais pessoas críticas e pensantes para suas fileiras, apenas ovelhas cegas e reacionárias) nos entristece ver que os grandes faróis do cristianismo libertador estão fisicamente enfraquecendo.


Quando fazia meu trabalho de conclusão, lia partes dos diários do Pe Orestes Stragliotto, seu testemunho me falava de uma Igreja (a mesma de Casaldáliga) cheia de vida, com energia para ser efetivamente contra cultural, promovendo a libertação, a cidadania, o cuidado e a ternura. Comparando com a Igreja primitiva estudada na minha formação acadêmica é impossível não traçar paralelos, identificando os fundamentos da fé, as motivações e os grandes ideais abraçados.
Aí veio a institucionalização.... e a coisa foi por água abaixo.
Antes disso, ser cristão era perigoso. Depois disso é obrigação.
E nada mais sem tesão do que fazer algo por obrigação.
E o amor se esvaziou, ficou apenas o peso da pedra institucional, atribuída a Pedro (pobre Pedro, tanto se fez por vaidade própria em nome dele).
Mas o bom Deus não desiste de seu povo, e chama pessoas como Dom Pedro, a clamar no deserto púrpura da instituição corrompida e deslumbrada, a clamar como faria Jesus. Sem clégima, sem pompa, sem cálices de ouro que custam o preço de uma casa popular... 
A clamar com a vida, com seu testemunho, com todas as suas forças.
Uma vida colocada à serviço, para que não esqueçamos que o Cristo vive sim, mas no meio do povo. 
Pobre, sujo, sem casa, sem teto, indigente, diferente, e ouso dizer, pela instituição igreja excomungado.


‘Eu te louvo, Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste essas coisas aos sábios e inteligentes, e as revelaste aos pequeninos" Lc 10,21

08/10/2010

ainda sobre decoração - objetos (simples) de desejo

Decidimos mudar muitas coisas aqui em casa, queremos ter um ambiente confortável, seguro e aconchegante. Primeiramente vamos precisar fazer boas reformas, a começar pelo telhado, fiação, e infiltrações... e uma pequena ampliação para comportar uma cozinha e abrir espaço para um quarto onde hoje é a sala da bagunça.
Enfim...
Tenho então visitado muitos blogs... vendo coisas lindas, simples, sofisticadas, fáceis, complicadas... de tudo um pouco, e tudo, absolutamente tudo absurdamente inspirador.

Peguei esta imagen do Decor8,  há nela dois objetos do meu desejo:
Um pedestal para servir bolo e um sapo espremedor de frutas, não são lindos?
#momentoamélia

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