31/08/2008

LUTO - tempo de saudade e adaptação

Não tenho muito o que dizer neste momento,
Meu pai pegou o barquinho dele para o outro plano, às 6h45min desta sexta feira.
Deixo aqui as últimas palavras dele, ditas ao meu irmão, que naquela noite estava de acompanhante dele.
- Sou um vitorioso, alcancei a vitória!
Meu irmão concordou, achou que fosse um de seus ‘delírios’, e pediu que ele dormisse (já estava amanhecendo).
Adormeceu e se entregou a Deus. Não sofreu mais, partiu em paz.

Também nós estamos em paz.
Não foi um ADEUS... sabemos que a jornada não termina aqui.

Obrigada pelas manifestações de carinho e apoio em todos os momentos.

Temos bons e preciosos amigos; isto é verdadeiramente um tesouro.

Abraços

27/08/2008

Sobre ser mãe (desconheço a autoria)

Nós estamos sentadas almoçando, quando minha filha casualmente menciona que ela e seu marido estão pensando em 'começar uma família'.

  

'Nós estamos fazendo uma pesquisa', ela diz, meio de brincadeira. 'Você acha que eu deveria ter um bebê?'

 

'Vai mudar a sua vida,' eu digo, cuidadosamente mantendo meu tom neutro.

 

'Eu sei,' ela diz, 'nada de dormir até tarde nos finais de semana, nada de férias espontâneas.. .'

 

Mas não foi nada disso que eu quis dizer. Eu olho para a minha filha, tentando decidir o que dizer a ela. Eu quero que ela saiba o que ela nunca vai aprender no curso de casais grávidos. Eu quero lhe dizer que as feridas físicas de dar à luz irão se curar, mas que tornar-se mãe deixará uma ferida emocional tão exposta que ela estará para sempre vulnerável.

 

Eu penso em alertá-la que ela nunca mais vai ler um jornal sem se perguntar  'E se tivesse sido o MEU filho?' Que cada acidente de avião, cada incêndio irá lhe assombrar. Que quando ela vir fotos de crianças morrendo de fome, ela se perguntará se algo poderia ser pior do que ver seu filho morrer.

 

Olho para suas unhas com a manicure impecável, seu terno estiloso e penso que não importa o quão sofisticada ela seja, tornar-se mãe irá reduzí-la ao nível primitivo da ursa que protege seu filhote. Que um grito urgente de 'Mãe!' fará com que ela derrube um suflê na sua melhor louça sem hesitar nem por um instante.

 

Eu sinto que deveria avisá-la que não importa quantos anos ela investiu em sua carreira, ela será arrancada dos trilhos profissionais pela maternidade. Ela pode conseguir uma escolinha, mas um belo dia ela entrará numa importante reunião de negócios e pensará no cheiro do seu bebê. Ela vai ter que usar cada milímetro de sua disciplina para evitar sair correndo para casa, apenas para ter certeza de que o seu bebê está bem.

 

Eu quero que a minha filha saiba que decisões do dia a dia não mais serão rotina. Que a decisão de um menino de 5 anos de ir ao banheiro masculino ao invés do feminino no McDonald's se tornará um enorme dilema. Que ali mesmo, em meio às bandejas barulhentas e crianças gritando, questões de independência e gênero serão pensadas contra a possibilidade de que um molestador de crianças possa estar observando no banheiro.

 

Não importa o quão assertiva ela seja no escritório, ela se questionará constantemente como mãe.

 

Olhando para minha atraente filha, eu quero assegurá-la de que o peso da gravidez ela perderá eventualmente, mas que ela jamais se sentirá a mesma sobre si mesma. Que a vida dela, hoje tão importante, será de menor valor quando ela tiver um filho. Que ela a daria num segundo para salvar sua cria, mas que ela também começará a desejar por mais anos de vida -- não para realizar seus próprios sonhos, mas para ver seus filhos realizarem os deles.

 

Eu quero que ela saiba que a cicatriz de uma cesárea ou estrias se tornarão medalhas de honra.

O relacionamento de minha filha com seu marido irá mudar, mas não da forma como ela pensa. Eu queria que ela entendesse o quanto mais se pode amar um homem que tem cuidado ao passar pomadinhas num bebê ou que nunca hesita em brincar com seu filho. Eu acho que ela deveria saber que ela se apaixonará por ele novamente por razões que hoje ela acharia nada românticas.

 

Eu gostaria que minha filha pudesse perceber a conexão que ela sentirá com as mulheres que através da história tentaram acabar com as guerras, o preconceito e com os motoristas bêbados.

Eu espero que ela possa entender porque eu posso pensar racionalmente sobre a maioria das coisas, mas que eu me torno temporariamente insana quando eu discuto a ameaça da guerra nuclear para o futuro de meus filhos.

 

Eu quero descrever para minha filha a enorme emoção de ver seu filho aprender a andar de bicicleta. Eu quero mostrar a ela a gargalhada gostosa de um bebê que está tocando o pelo macio de um cachorro ou gato pela primeira vez. Eu quero que ela prove a alegria que é tão real que chega a doer. O olhar de estranheza da minha filha me faz perceber que tenho lágrimas nos olhos.

'Você jamais se arrependerá', digo finalmente.

 

Então estico minha mão sobre a mesa, aperto a mão da minha filha e faço uma prece silenciosa por ela, e por mim, e por todas as mulheres meramente mortais que encontraram em seu caminho este que é o mais maravilhoso dos chamados. Este presente abençoado de Deus...  que é ser Mãe.'

24/08/2008

A vida em post...

Chegamos agora de Lajeado.
Conversei com o cardiologista, e ele explicou novamente que depende da volta da função renal para poder fazer a cirurgia.
Quando o pai chegou em Lajeado, a luta deles foi recuperar o coração e o pulmão para que ele agüentasse a cirurgia. Este dia chegou, só que no meio do caminho os rins ‘apitaram na curva’ e agora estão exigindo atenção redobrada para que voltem a funcionar.
Me assustei com o aspecto abatido do pai, mas também, né? Se a gente cansa pra caramba com esta situação, imagina meu velho, que ta há 30 dias hospitalizado só em Lajeado, fora o tempo de Hospital Centenário em São Leopoldo...

Olha como a vida é: cheguei em casa e havia uma movimentação danada na esquina da nossa rua, uma menina tentou se matar. Estava a ambulância da SAMU (nossa velha conhecida) e a viatura da Brigada Militar.
Que coisa, né?
Uns lutando pela vida, outros em tamanho desequilíbrio e fragilidade, que lutam para dar fim a própria vida.

Fiquei com muito dó da menina... (ela deve ter a minha idade) porque certamente é uma pessoa que necessita de ajuda e acompanhamento, e não de condenações...

Enfim,
Vamos em frente, lutando pela vida!

Sei que a jornada é longa pela frente, a médica dos rins disse que na próxima semana ainda não será possível operar... ele precisa recuperar mesmo a função renal, e em cinco dias ainda não será possível fazer isso... mas treze quem sabe??? Então talvez para a outra quinta ainda seja possível...

Bom, ouvimos isso tanto dos cardiologistas... o que custa viver mais um pouco isso com a moça, né?
Risos
Se é para que o pai viva, a gente topa qualquer negócio.

É fundamental agora mais do que nunca que a gente venda todos os cartões do meio frango, pois teremos muito tempo ainda de hotel pra pagar, de alimentação e de transporte até lá.

Portanto, toda ajuda é bem vinda!

Se vc quiser se livrar da cozinha dia 07 de setembro, a um preço módico de R$7,00 por meio frango (com pão e salada) conte com a gente!!!
Pagamento adiantado é muito bem vindo!!!

Não somos a UNICEF, mas aceitamos contribuição em dinheiro... entre em contato... não se recusa a ajuda dos amigos em momentos tão delicados como este...

E vamos em frente, lutando pela vida!

20/08/2008

A águia empurrou gentilmente os filhotes para a beira do ninho. Seu coração trepidava com emoções conflitantes enquanto sentia a resistência deles. 'Por que será que a emoção de voar precisa começar com o medo de cair?' - pensou. Esta pergunta eterna estava sem resposta para ela".

"Como na tradição da espécie, seu ninho localizava-se no alto de uma saliência, num rochedo escarpado. Abaixo, havia somente o ar para suportar as asas de cada um de seus filhotes. A despeito de seus medos, a águia sabia que era tempo. Sua missão materna estava praticamente terminada. Restava uma última tarefa: o empurrão. A águia reuniu coragem através de uma sabedoria inata. Enquanto os filhotes não descobrissem suas asas, não haveria objetivos em suas vidas. Enquanto não aprendessem a voar, não compreenderiam o privilégio de terem nascido águias. O empurrão era o maior presente que a águia-mãe tinha para dar-lhes, era seu supremo amor. E por isso, um a um, ela empurrou, e todos voaram".

(Autor desconhecido)

18/08/2008

final de semana

Oi,
fomos a Lajeado no sábado pela manhã, para dar uma folga aos plantonistas (a mãe e o Zé)
 
a Morgana ficou com o pai sábado a tarde, meu irmão virou a noite, e eu fiquei sábado de manhã, até o horário da visita da tarde.
 
O pai está com melhoras, a hemodiálise ajudou a dar um 'respiro' para o rim, e agora ele está voltando a trabalhar.
 
Mas é muita tensão, estou no meu limite físico e mental.
Ontem voltamos para SL abaixo de chuva forte, vimos acidente na estrada, chegamos perto das 18 horas, tomei um banho e fui dormir.
 
Dormi até as 6h da manhã de hoje.
 
Estou naquela fase de quem só pede a Deus que tudo passe de uma vez.
 
Acredito que nesta quinta saia a cirurgia, outro pico de tensão emocional, pois é uma cirurgia de alto risco.
 
Peço a Deus que papai supere a cirurgia, daí depois é só alegria, porque com o coração em ordem, tudo vai voltando aos poucos ao normal.
 
Obrigada pela força, e desculpem a monotonia de assunto, mas não consigo pensar em nada diferente disso agora.
 
O pensamento positivo agora é para que os rins voltem a funcionar para que seja possíve a cirurgia dele na quinta.
 
Muita oração, muita fé em Deus e nos Médicos! Que nosso amor seja capaz de superar esta fase difícil.
Amém!
 
 
 

10/08/2008

Pai

Hoje é dia dos pais, fomos até Lageado, visitar o nosso, que não está mais na UTI, mas está se fortalecendo no quarto, para poder encarar uma delicada cirurgia de coração.
Ficamos sabendo o motivo do agravamento repentino do quadro dele quando esteve internado em São Léo, ele sofreu OUTRO INFARTO, quase fulminante, por isso foi tão debilitado para Lageado.
Até os médicos duvidaram da possibilidade dele superar.
O diferencial foi a força da minha mãe, sempre ao lado dele, com zelo sacerdotal, segurando suas mãos, acariciando seus cabelos, e com todo carinho do mundo pedindo para ele se alimentar, para ele aceitar a medicação...
E não é que tanto amor e dedicação renderam frutos?
Hoje o médico disse que o jogo que o pai estava perdendo de 3x0 teve uma virada, que o pai já está ganhando de uns4x3!!! e que se continuar assim, em quinze dias será possível operar com grandes chances!
Estou aliviada e ao mesmo tempo muito apreensiva, pois sabemos da fragilidade da situação de seu coração.
A oração é constante, o pensamento no Médico dos Médicos, e a fé no poder curativo do amor.

Amor que tudo supera e tudo cura.
Amor que faz com que nos doemos gratuitamente.
Estou encantada com a capacidade do Zé, que voltou hoje para Lageado, para ficar ao lado dos meus pais, está passando as noites no hospital com meu pai, zelozamente ao lado da cama do meu pai, transmitindo-lhe confiança e tranquilidade.
Até as enfermeiras já estão dizendo: o Seu Elias só dorme com o genro... ele tranquiliza e dorme...

Cada dia mais eu admiro este moleque, que pela "disponibilidade de um teclado" entrou na minha vida e se fundiu a ela de tal forma, que hoje é comigo em nosso lar e em minha família.

Sou grata a Deus pela minha família, e pelos meus amores.

Meus primos estão mobilizados também, uma vez que os custos estão altos para nos mantermos em uma cidade que fica há cerca de 140 km de nossa casa, a mãe e o zé estão ficando em um hotel, dividindo um quarto, já que um dorme de dia e outro de noite... mas é caro, não tínhamos isso evidentemente em nosso orçamento!

Então vamos fazer para o dia 07 de setembro um meio frango, para arrecadar dinheiro para cobrir as despesas de hotel, alimentação e transporte, e também as despesas das modificações que teremos que fazer na casa dos nossos pais. (adaptar banheiro, quarto, etc...)

A ajuda dos amigos nesta hora é essencial, e está se mostrando fiel !
Amigos de longa data, amigos de longe e de perto, familiares e colegas de trabalho.

Os momentos de crise revelam as pessoas, realmente.

Eu definitivamente não sou a mesma pessoa que entrou com o pai no hospital no dia da baixa, uma tarde já foi suficiente para mudar minha existência, imagine então o que estes 40 dias (de deserto) estão fazendo com minha alma e com todos em nossa família e círculo de amizades.

Um muito obrigado a todos de perto e de longe!

Minha prece e gratidão!

Fé em Deus.... fé no Amor Maior!

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