31/10/2008

Que coisa...

O dia começou sombrio hoje aqui na empresa.
Um de nossos colegas, do turno da noite, cometeu suicídio.
 
Mesmo que o dia esteja lindo, isso deixou o dia tão triste.
Uma vida ceifada, 
um homem que desesperou,
deixou de esperar algo da vida
resolveu encerrá-la.
 
não temos condições de julgar, só ele sabe pelo que passou,
mas é um momento de solidariedade com a família.
Fica um filho pequeno, e uma esposa sozinha.
 
Sentimos muito.
 
 
 

27/10/2008

sobre gente que pergunta...

Amiga, você está doente? Te pergunto porque eu vi sair um médico da
sua casa, esta manhã...
- Olha, minha querida, ontem eu vi sair um militar da sua e nem por
isso você está em guerra, não é verdade?
***
 
Um pouco de humor prá começar a semana.
Tendência do dia: Tolerância Zero.
 
Estamos em implantação de novo parceiro de benefícios aqui na empresa, hoje vai ser um dia daqueles.
Tenho aula hoje - Pensamento Social Cristão - e o professor vai desencavar doutrina da Igreja, é mole?!
O maridão vai viajar, vai pra Erechim - volta só na sexta.
 
Então, só apelando prá um pouco de humor prá não ficar só na 'Tolerância Zero'.
 
***
 
Falando em humor - a gente morre e não vê tudo, né?
Ontem eu ouvia um pouco dos notíciarios, prá ficar por dentro da conjuntura política do país. Ando meio repunada de política, mas viver alienada também não é possível, temos que nos inteirar, senão não tem como pensar ou propor alternativas.
Enfim...
Numa destas ouvi uma declaração do presidente Lula, sobre a questão de ajudar financeiramente os bancos.
Ele dizia mais ou menos assim: "não tem graça despejar dinheiro em instituições bancárias. Ficam dizendo que estou propondo estatizar, e não é isso! Proponho em vez de deliberadamente dar dinheiro, sem garantia nenhuma... que o governo compre ações dos bancos, assim teria pelo menos uma certa garantia. Então quando o banco se recuperar, vende as ações e tem o dinheiro de volta para investir em outras prioridades."
Pensando no que está acontecendo na Europa e nos EUA, quase me levantei pra´aplaudir de pé.
Um pouco de vergonha na cara e respeito com o contribuinte não faz mal a ninguém.
Não acho graça nenhuma nesta história de socializar o prejuízo dos bancos, enquanto durante o tempo que as instituições deram MUITO lucro, este era todo privatizado.
Quer socialiar o preju??? socializa o lucro também...
Vamos nos respeitar!

25/10/2008

Sábado de chuva... previsão de sono...



24/10/2008

treinamentos comportamentais

Estamos numa fase aqui na empresa, de promover treinamentos comportamentais.
 
Basicamente se resumem em três blocos: Estilos de liderança / comunicação / feed back
 
Posso parecer piegas, mas ouso dizer que estas três competências deveriam vir formadas 'de casa'.
Não deveria ser habilidade 'básica' de todo ser humano conseguir se relacionar em grupo (afinal de contas foi esta habilidade que permitiu que nós sobrevivêssemos à era das cavernas), saber ouvir (lembro da velha comparação - temos uma boca e DUAS orelhas) e saber também trabalhar com as críticas (como vamos melhorar se não ouvimos o que os outros sentem e pensam sobre nós, ou então como vamos ajudar o outro a ser melhor - e consequentemente melhorar nossa relação  - se não estamos aptos a lidar com as duas vias da crítica?).
 
Apesar disso, é incrível como as pessoas não conseguem lidar bem com estas três dimensões, e em função disso tornam sua vida (e a dos coleguinhas) um inferno.
 
É o RH tendo que 'ensinar' o profissional a dizer 'obrigado', 'por favor' e 'me desculpe'.
 
fim da picada
 

22/10/2008

cansei...



Esta semana tem sido agitada, Feira do Livro em São Leopoldo... trabalhos na Faculdade, Viagem na semana passada que originou acúmulo de tarefas no trabalho.
affffeeee
Ainda bem que tudo na vida tem jeito!
Estou sendo um pouco menos babaca, e pensando um pouco mais em mim, principalmente no quesito "VIDA PROFISSIONAL".
É pecado mortal ser egoísta nesta dimensão da vida???
hein????

então é Natal....


E não é que já estamos com algumas lojas todas decoradas para o Natal?

Que loucura, né?

2008 praticamente já era!

Você já pensou no que vai pedir pro Papai Noel te trazer de presente?

Ou vai dizer que não crê mais no 'bom velhinho'?

20/10/2008

Não sei quantas almas tenho

Não sei quantas almas tenho.

Cada momento mudei.

Continuamente me estranho.

Nunca me vi nem acabei.

De tanto ser, só tenho alma.

Quem tem alma não tem calma.

Quem vê é só o que vê,

Quem sente não é quem é,

Atento ao que sou e vejo,

Torno-me eles e não eu.

Cada meu sonho ou desejo

É do que nasce e não meu.

Sou minha própria paisagem;

Assisto à minha passagem,

Diverso, móbil e só,

Não sei sentir-me onde estou.

Por isso, alheio, vou lendo

Como páginas, meu ser.

O que sogue não prevendo,

O que passou a esquecer.

Noto à margem do que li

O que julguei que senti.

Releio e digo: "Fui eu ?"

Deus sabe, porque o escreveu.

Fernando Pessoa

 

Belíssimo poema...

Me sinto assim às vezes, não sei quantas almas tenho.

13/10/2008

presente

dar presente?
estar presente?
ser presente?
 
Neste final de semana foi o dia das crianças,
o menino ganhou um vídeo game.
Agora os pais não mandam mais ele simplesmente 'sair de perto'
ele tem um amigo,
um amigo virtual.
 
Ele não escuta, mas obedece.
Eles não trocam carinho, mas golpes.
 
E o menino fica feliz, depois que bate até ver o adversário sangrar e cair.
 
Beleza de presente!
 
O presente tira dos pais o peso de estar presente.
 
E o que será que este presente ensinará a este menino?
 
Não consegui nem brincar com o menino, eu não tinha joystick, ele me achou sem graça.
 
Antes de ontem o menino corria pro meu colo, e brincar de cavalinho arrancava risadas sonoras deste menino, e a casa ganhava vida com sua alegria.
 

06/10/2008

DO MUNDO VIRTUAL AO ESPIRITUAL

Texto de Frei Betto
 
Ao viajar pelo Oriente, mantive contatos com monges do Tibete, da Mongólia, do Japão e da China. Eram homens serenos, comedidos, recolhidos em paz em seus mantos cor de açafrão.

Outro dia, eu observava o movimento do aeroporto de São Paulo: a sala de espera cheia de executivos com telefones celulares, preocupados, ansiosos, geralmente comendo mais do que deviam. Com certeza, já haviam tomado café da manhã em casa, mas como a companhia aérea oferecia um outro café, todos comiam vorazmente. Aquilo me fez refletir: 'Qual dos dois modelos produz felicidade?'

Encontrei Daniela, 10 anos, no elevador, às nove da manhã, e perguntei: 'Não foi à aula?' Ela respondeu: 'Não, tenho aula à tarde'. Comemorei: 'Que bom, então de manhã você pode brincar, dormir até mais tarde'. 'Não', retrucou ela, 'tenho tanta coisa de manhã...' 'Que tanta coisa?', perguntei. 'Aulas de inglês, de balé, de pintura, piscina', e começou a elencar seu programa de garota robotizada. Fiquei pensando: 'Que pena, a Daniela não disse: 'Tenho aula de meditação!'

Estamos construindo super-homens e supermulheres, totalmente equipados, mas emocionalmente infantilizados. Por isso as empresas consideram agora que, mais importante que o QI, é a IE, a Inteligência Emocional. Não adianta ser um superexecutivo se não se consegue se relacionar com as pessoas. Ora, como seria importante os currículos escolares incluírem aulas de meditação!

Uma progressista cidade do interior de São Paulo tinha, em 1960, seis livrarias e uma academia de ginástica; hoje, tem sessenta academias de ginástica e três livrarias! Não tenho nada contra malhar o corpo, mas me preocupo com a desproporção em relação à malhação do espírito. Acho ótimo, vamos todos morrer esbeltos: 'Como estava o defunto?'. 'Olha, uma maravilha, não tinha uma celulite!' Mas como fica a questão da subjetividade? Da espiritualidade? Da ociosidade amorosa?

Outrora, falava-se em realidade: análise da realidade, inserir-se na realidade, conhecer a realidade. Hoje, a palavra é virtualidade. Tudo é virtual. Pode-se fazer sexo virtual pela internet: não se pega aids, não há envolvimento emocional, controla-se no mouse. Trancado em seu quarto, em Brasília, um homem pode ter uma amiga íntima em Tóquio, sem nenhuma preocupação de conhecer o seu vizi­nho de prédio ou de quadra!

Tudo é virtual, entramos na virtualidade de todos os valores, não há compromisso com o real! É muito grave esse processo de abstração da linguagem, de sentimentos: somos místicos virtuais, religiosos virtuais, cidadãos virtuais. Enquanto isso, a realidade vai por outro lado, pois somos também eticamente virtuais…

A cultura começa onde a natureza termina. Cultura é o refinamento do espírito. Televisão, no Brasil - com raras e honrosas exceções -, é um problema: a cada semana que passa, temos a sensação de que ficamos um pouco menos cultos. A palavra hoje é 'entretenimento'; domingo, então, é o dia nacional da imbecilização coletiva. Imbecil o apresentador, imbecil quem vai lá e se apresenta no palco, imbecil quem perde a tarde diante da tela.

Como a publicidade não consegue vender felicidade, passa a ilusão de que felicidade é o resultado da soma de prazeres: 'Se tomar este refrigerante, vestir este tênis,­ usar esta camisa, comprar este carro, você chega lá!' O problema é que, em geral, não se chega! Quem cede desenvolve de tal maneira o desejo, que acaba­ precisando de um analista. Ou de remédios. Quem resiste, aumenta a neurose.

Os psicanalistas tentam descobrir o que fazer com o desejo dos seus pacientes. Colocá-los onde? Eu, que não sou da área, posso me dar o direito de apresentar uma su­gestão. Acho que só há uma saída: virar o desejo para dentro. Porque, para fora, ele não tem aonde ir! O grande desafio é virar o desejo para dentro, gostar de si mesmo, começar a ver o quanto é bom ser livre de todo esse condicionamento globalizante, neoliberal, consumista. Assim, pode-se viver melhor. Aliás, para uma boa saúde mental três requisitos são indispensáveis: amizades, auto-estima, ausência de estresse.

Há uma lógica religiosa no consumismo pós-moderno. Se alguém vai à Europa e visita uma pequena cidade onde há uma catedral, deve procurar saber a história daquela cidade - a catedral é o sinal de que ela tem história. Na Idade Média, as cidades adquiriam status construindo uma catedral; hoje, no Brasil, constrói-se um shopping center. É curioso: a maioria dos shopping centers tem linhas arquitetônicas de catedrais estilizadas; neles não se pode ir de qualquer maneira, é preciso vestir roupa de missa de domingos. E ali dentro sente-se uma sensação paradisíaca: não há mendigos, crianças de rua, sujeira pelas calçadas...

Entra-se naqueles claustros ao som do gregoriano pós-moderno, aquela musiquinha de esperar dentista. Observam-se os vários nichos, todas aquelas capelas com os veneráveis objetos de consumo, acolitados por belas sacerdotisas. Quem pode comprar à vista, sente-se no reino dos céus. Se deve passar cheque pré-datado, pagar a crédito, entrar no cheque especial, sente-se no purgatório. Mas se não pode comprar, certamente vai se sentir no inferno... Felizmente, terminam todos na eucaristia pós-moderna, irmanados na mesma mesa, com o mesmo suco e o mesmo hambúrguer do McDonald's…

Costumo advertir os balconistas que me cercam à porta das lojas: 'Estou apenas fazendo um passeio socrático.' Diante de seus olhares espantados, explico: 'Sócrates, filósofo grego, também gostava de descansar a cabeça percorrendo o centro comercial de Atenas. Quando vendedores como vocês o assediavam, ele respondia: 'Estou apenas observando quanta coisa existe de que não preciso para ser feliz.'
 
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Frugalidade, eis a chave da sustentabilidade!
Beijocas

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