10/07/2008

Experiência SUS em minha vida

Deus do Céu!
estamos com meu pai internado na ala da Cardiologia, no Hospital Público da Cidade.
 
Ele 'ganhou a baixa' na terça feira, e fomos para o Hospital,  ficamos até as duas horas da manhã, com ele sendo medicado (em uma salinha de medicação), às duas horas então ele passou para a maca. Isso mesmo, maca no corredor do Hospital, quando alguém então pode ficar com ele.
Minha mãe ficou com ele até de manhã, quando eu fui trocar de lugar com ela.
 
Tudo isso apenas porque estávamos esperando liberar um leito na Cardio. (o que só aconteceu ontem às 14 horas)
 
Nestas horas em que estive ali vivi coisas que não imaginei que passaria... minha visão de SUS mudou completamente.
 
A dedicação e o profissionalismo da equipe médica e de enfermagem foi o que mais me surpreendeu. Uma equipe de bem com a vida, preparada, educada e profissional ao tratar com os pacientes... Coisa que muitas vezes não vemos nos mais conceituados planos de saúde ( e olha que o meu tem cobertura nacional, com uma renomada cooperativa de saúde).
 
Vi o caso de um bebê, que sofreu afogamento com o refluxo da mamadeira. A criança chegou já com parada respiratória, não foi possível reverter (nestes casos cada minuto é precioso). Todos ficaram profundamente comovidos, verdadeiramente abalados.
 
Fiquei pensando sobre a grande responsabilidade de ser pai e mãe, do quanto estas vidas frágeis ficam entregues nas mãos dos adultos. A criança tinha em torno de quatro meses, provavelmente há pouco tempo havia terminado a licença maternidade desta mãezinha, que deixou este bebê em uma creche, certamente junto com outros bebês.
Aqui fica a reflexão sobre as estruturas das creches (públicas, particulares e comunitárias). A menina (funcionária da creche) que levou o bebezinho até o hospital não tinha mais do que vinte anos de idade. Estava tão assustada!
Será que tinha treinamento em primeiros socorros?
Será que tinha suporte e estrutura para atender o berçário?
Quantas crianças haviam sob sua responsabilidade no berçário da creche?
 
Não podemos sair julgando-a culpada, nem tampouco eximir a equipe da tal creche da responsabilidade, mas acredito que devamos pensar no 'em torno', em tudo que poderia ser feito para evitar este tipo de coisa.
 
Mas também não podemos negar que esta morte destruiu aquela mãe, aquele pai. Não consigo esquecer seu choro, seu lamento, sua dor.
 
Somos tão frágeis, e tão iguais nos momentos mais críticos da vida.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

olhe... e comente...

Postagens populares