28/12/2008

Gramado e Canela... Luzes de Natal e Toca da Bruxa...


pois então
estes últimos dias por aqui foram agitados...
passamos o Natal em casa, com a família trapo... rolaram os stress de sempre... mas o saldo foi positivo. Estava com medo de encarar o primeiro Natal sem meu pai, mas não teve choro, o que era o meu maior medo (onde um começasse, todo mundo desandaria).
Mas... foi sofrível...
Na quinta feira a tardinha decidimos de última hora ir para Gramado e Canela. Estamos com a visita de minha tia Luiza, e a tia não conhecia ainda as belezas do Natal Luz. Isso é inadmissível, hehehe... então subimos a serra e apresentamos a cidade luz prá ela. Amou...
Estava cansativo (porque ela já está velhinha e com dificuldades para andar) mas foi muito gratificante.

Jantamos em Canela, depois de muito perambular... na maravilhosa pizzaria "Toca da Bruxa".

Recomendamos... vale mesmo a pena.
Um atendimento fenomenal, sabores diferentes e deliciosos, e uma ambientação indescritível.
Principalmente para levar as crianças...

aliás... quem é que não merece um pouco de fantasia??? vá você também!!! não vai se arrepender...

Mas as aventuras do feriadão não terminam por aí... depois conto o restante da história.


Beijinhos bruxos a todos!!!

23/12/2008

Citação - vida

Quando almejamos uma vida sem dificuldades, lembremo-nos de que o carvalho cresce forte sob a força dos ventos e que os diamantes são feitos sob pressão.

Peter Marshall

 

 

 

 

16/12/2008

Mesmice???


Porque é bem mais fácil viver na mesmice, quando sabemos que se fizermos sempre a mesma coisa alcançaremos sempre os mesmos resultados?

O que será que falta para romper com esta coisa?
- coragem?
- energia?
- conhecimento?

Me sinto um ser humano super ambíguo... em um momento anseio pela paz e pela tranquilidade em um espaço e tempo onde não precise fazer absolutamente nada!
Noutro momento sou pura energia, doida prá inventar, iniciar coisas, mover o mundo!

Os esotéricos diriam que é típico do comportamento ariano (nascidos no tempo de áries, por favor, não me interpretem mal)...

Vou tomar emprestada esta comparação!
às vezes me sinto um 'ariete' pronto a explodir as portas da mesmice.
outras vezes sou a ovelhinha gordinha e fofinha que só quer nanar.

Sou tudo isso,
nada disso
ou um pouco de cada ?
Não sei.

14/12/2008


Finalmente em ritmo de férias,
pelo menos na faculdade já deu prá encerrar o expediente, risos.
Nossa, várias coisas boas têm acontecido nestes dias.
Conheci o professor que vai me orientar no TCC, ele é um franciscano gente fina prá caramba.
Me preparei para iniciar o estudo mais sistemático da História da Igreja (ICAR, a princípio) para conseguir contextualizar a biografia que me cai nas mãos.
Estou muito feliz!
Também surgiu a oportunidade de irmos para SP visitar os parentes, com passagem parceladinha, coisa mais fofa.
Esta agência nova, a AZUL... precisa conquistar mercado, coisa e tal.
Aliás, caso alguém conheça ou já tenha utilizado os serviços, adoraria ter um 'feedback'!
Mas voltando à questão das férias, de fato no trabalho estarei de férias em fevereiro, mas aliviando a faculdade já dá uma boa chance de respirar nestes dias de final de ano, acho que vamos fazer feriadão no Natal e no Ano Novo, então... vou conseguir descansar... ufa... a carcaça aqui tava precisando mesmo.
Tava doida prá fazer crochê, acreditam?
Crochê prá mim é um indício de que tenho ainda uma certa ociosidade criativa na minha existência.
Fiz umas capinhas para uns vidros de conserva da cozinha. (momento dona de casa, risos)
e quero fazer uns tapetes, ainda não sei se tb prá cozinha ou pro banheiro.
Óh dúvida cruel...

12/12/2008

Silêncio

O poder do silêncio é o poder da criação.

Assim como o artista começa sua obra com o silêncio de uma tela em branco e o compositor usa os espaços entre as notas, entre os nossos pensamentos e além deles existe silêncio.

Como um catalizador do poder criativo pessoal, o silêncio é capaz de abrir nosso espaço interior para o insight, a intuição e a inspiração.

(Brahma Kumaris)

Sou amiga do silêncio, aprendi a fazer dele um aliado na busca do equilíbrio e da paz interior.

Aprendi com um amigo que não devemos confiar em quem não consegue ficar em silêncio... ou melhor dizendo, quem está sempre com a necessidade de ter um ruído por perto (TV, rádio) está provavelmente adoentado, perturbado.

Pelo menos alguns minutos do nosso dia devem ser preservados para a manutenção do nosso eu, através do silêncio.

 

 

11/12/2008

Silêncio

Se queremos encontrar a paz, primeiro precisamos nos ensinar a ficar quietos para então nos tornarmos pacíficos. Tornar-se pacífico é segurar as rédeas da mente descontrolada e interromper os pensamentos incessantes. Uma vez que temos a atenção da mente, podemos começar a persuadí-la a nos levar ao silêncio, um silêncio verdadeiro. Não um lugar sem som, mas um lugar onde possamos experimentar um senso profundo de paz e uma consciência penetrante do nosso bem-estar.

Dadi Janki, Experiments in Silence, Brahma Kumaris World Spiritual Organization, USA, 2002

 

 

02/12/2008

Tudo...


"Tudo o que é sólido desmancha no ar"
Karl Marx


- e não é que o vira e mexe o velho Marx tem razão?????

Hoje o dia foi um horror, correria total,
não vejo a hora de chegar as férias.

28/11/2008

E o sol saiu...

Recebemos este email de um amigo de Itajaí, SC
 
Vale a leitura, realmente emocionante.
 

Meus amigos,

Hoje 27 de novembro de 2008 o sol saiu e conseguimos voltar a trabalhar. A despeito de brincadeiras e comentários espirituosos normais sobre esta "folga forçada" a verdade é que nunca me senti tão feliz de voltar ao trabalho. Não somente pelo trabalho, pela instituição e pela própria tranqüilidade de ter aonde ganhar o pão, mas também por ser um sinal de que a vida está voltando ao normal aqui na nossa Itajaí.

As fotos que circulam na internet e os telejornais já nos dão as imagens claras de tudo que aconteceu então não vou me estender narrando e descrevendo as cenas vistas nestes dias. Todos vocês já sabem de cor. Eu quero mesmo é falar sobre lições aprendidas.

Por mais que teorias e leituras mil nos falem sobre isso ainda é surpreendente presenciar como uma tragédia desse porte pode fazer aflorar no ser humano os sentimentos mais nobres e os seus instintos mais primitivos. As cenas e situações vividas neste final de semana prolongado em Itajaí nos fizeram chorar de alegria, raiva, tristeza e impotência. Fizeram-nos perder a fé no ser humano num segundo, para recuperar-la no seguinte. Fez-nos ver que sempre alguém se aproveitará da desgraça alheia, mas que também é mais fácil começar de novo quando todos se dão as mãos.

Que aquela entidade superior que cada um acredita (Deus, Alá, Buda, GADU etc.) e da forma que cada um a concebe tenha piedade daqueles:

- Que se aproveitaram a situação para fazer saques em Supermercados, levando principalmente bebidas e cigarros

- Que saquearam uma farmácia levando medicamentos controlados, equipamentos e cofres e destruindo os produtos de primeira necessidade que ficaram assim como a estrutura física da mesma.

- Que pediam 5 reais por um litro de água mineral.

- Que chegaram a pedir 150 reais por um botijão de gás.

- Que foram pedir donativos de água e alimentos nas áreas secas pra vender nas áreas alagadas.

- Que foram comer e pegar roupas nos centros de triagem mesmo não tendo suas casas atingidas.

- Que esperaram as pessoas saírem das suas casas para roubarem o que restava.

- Que fizeram pessoas dormir em telhados e lajes com frio e fome para não ter suas casas saqueadas.

- Que não sentiram preocupação por ninguém, algo está errado em seu coração.

- Que simplesmente fizeram de conta que nada acontecia, por estarem em áreas secas.

Da mesma forma, que essa mesma entidade superior abençoe:

- Aqueles que atenderam ao chamado das rádios e se apresentaram no domingo no quartel dos bombeiros para ajudar de qualquer forma.

- Os bombeiros que tiveram paciência com a gente no quartel para nos instruir e nos orientar nas atividades que devíamos desenvolver.

- A turma das lanchas, os donos das lanchinhas de pescarias de fim de semana que rapidamente trouxeram seus barquinhos nas suas carretas e fizeram tanta diferença.

- À equipe da lancha, gente sensacional que parecia que nos conhecíamos de toda uma vida.

- Aos soldados do exército do Paraná e do Rio Grande do Sul.

- Aos bravos gaúchos, tantas vezes vitimas de nossas brincadeiras que trouxeram caminhões e caminhões de mantimentos.

- Aos cadetes da Academia da Polícia Militar que ainda em formação se portaram com veteranos.

- Aos Bombeiros e Policias locais que resgataram, cuidaram , orientaram e auxiliaram de todas as formas, muitas vezes com as suas próprias casas embaixo das águas.

- Aos Médicos Voluntários.

- Às enfermeiras Voluntárias.

- Aos bombeiros do Paraná que trabalharam ombro a ombro com os nossos.

- Aos Helicópteros da Aeronáutica e Exercito que fizeram os resgates nos locais de difícil acesso.

- Aos incansáveis do SAMU e das ambulâncias em geral, que não tiveram tempo nem pra respirar.

- Ao pessoal do Helicóptero da Polícia Militar de São Paulo, que mostrou que longo é o braço da solidariedade.

- Ao pessoal das rádios que manteve a população informada e manteve a esperança de quem estava isolado em casa.

- Aos estudantes que emprestaram seus físicos para carregar e descarregar caminhões nos centros de triagem.

- Às pessoas que cozinharam para milhares de estranhos.

- Ao empresário que não se identificou e entregou mais de mil marmitex no centro de triagem.

- A todos que doaram nem que seja uma peça de roupa.

- A todos que serviram nem que seja um copo de água a quem precisou.

- A todos que oraram por todos.

- Ao Brasil todo, que chorou nossos mortos e nossas perdas.

- Aos novos amigos que fiz no centro de triagem, na segunda-feira.

- A todos aqueles que me ligaram preocupados com a gente.

- A todos aqueles que ainda se preocupam por alguém.

- A todos aqueles que fizeram algo, mas eu não soube ou esqueci.

 

Há alguns anos, numa grande enchente na Argentina um anônimo escreveu isto:

 

COMEÇAR DE NOVO

 

Eu tinha medo da escuridão

Até que as noites se fizeram longas e sem luz

Eu não resistia ao frio facilmente

Até passar a noite molhado numa laje

Eu tinha medo dos mortos

Até ter que dormir num cemitério

Eu tinha rejeição por quem era de Buenos Aires

Até que me deram abrigo e alimento

Eu tinha aversão a Judeus

Até darem remédios aos meus filhos

Eu adorava exibir a minha nova jaqueta

Até dar ela a um garoto com hipotermia

Eu escolhia cuidadosamente a minha comida

Até que tive fome

Eu desconfiava da pele escura

Até que um braço forte me tirou da água

Eu achava que tinha visto muita coisa

Até ver meu povo perambulando sem rumo pelas ruas

Eu não gostava do cachorro do meu vizinho

Até naquela noite eu o ouvir ganir até se afogar

Eu não lembrava os idosos

Até participar dos resgates

Eu não sabia cozinhar

Até ter na minha frente uma panela com arroz e crianças com fome

Eu achava que a minha casa era mais importante que as outras

Até ver todas cobertas pelas águas

Eu tinha orgulho do meu nome e sobrenome

Até a gente se tornar todos seres anônimos

Eu não ouvia rádio

Até ser ela que manteve a minha energia

Eu criticava a bagunça dos estudantes

Até que eles, às centenas, me estenderam suas mãos solidárias

Eu tinha segurança absoluta de como seriam meus próximos anos

Agora nem tanto

Eu vivia numa comunidade com uma classe política

Mas agora espero que a correnteza tenha levado embora

Eu não lembrava o nome de todos os estados

Agora guardo cada um no coração

Eu não tinha boa memória

Talvez por isso eu não lembre de todo mundo

Mas terei mesmo assim o que me resta de vida para agradecer a todos

Eu não te conhecia

Agora você é meu irmão

Tínhamos um rio

Agora somos parte dele

É de manhã, já saiu o sol e não faz tanto frio

Graças a Deus

Vamos começar de novo.

 

Anônimo

 

  

É hora de recomeçar, e talvez seja hora de recomeçar não só materialmente. Talvez seja uma boa oportunidade de renascer, de se reinventar e de crescer como ser humano.

Pelo menos é a minha hora, acredito.

 

Que Deus abençoe a todos.

15/11/2008

o mais parecida comigo

Isso foi o mais parecida comigo que consegui deixar a bonequinha do 'budipôqui' no orkut.

Eu magra e cabeçuda seria assim.


:)

09/11/2008

Canção da Deusa...

Eu canto uma canção de amor

A partir das pedras do meu corpo

Dos picos mais altos das minhas montanhas

Das areias quentes dos meus desertos

Eu a acaricio com folhas verdes

Plantas verdes

Eu a banho em vegetais

Alimento-a em seus seios

A Terra

Eu a acalmo com águas cintilantes

Refresco-a com meus oceanos

Minha canção de amor para você

É o meu corpo

A Terra

Para alimentá-la

Vesti-la

Acolhê-la

Aprenda a minha canção

E ela vai curar você

Cante a minha canção e ela a fará inteira

Dance comigo e você será sagrada.

08/11/2008


Lindo dia de sol...
Casa com cheiro de limpeza,

Sofás enfeitados com almofadas...
Há delícia também na vida de dona de casa.

07/11/2008

Atualizando...

A semana foi tranquila até, passou voando...
 
muitas reflexões a respeito da vida
 
e sobre como não prestamos atenção nas pessoas que estão ao nosso lado
 
E também sobre como não nos deixamos conhecer pelos outros,
muitas das ajudas que não recebemos, é pelo simples fato de nunca termos pedido.
 
Beijinho, e bom final de semana.
 
 

31/10/2008

Que coisa...

O dia começou sombrio hoje aqui na empresa.
Um de nossos colegas, do turno da noite, cometeu suicídio.
 
Mesmo que o dia esteja lindo, isso deixou o dia tão triste.
Uma vida ceifada, 
um homem que desesperou,
deixou de esperar algo da vida
resolveu encerrá-la.
 
não temos condições de julgar, só ele sabe pelo que passou,
mas é um momento de solidariedade com a família.
Fica um filho pequeno, e uma esposa sozinha.
 
Sentimos muito.
 
 
 

27/10/2008

sobre gente que pergunta...

Amiga, você está doente? Te pergunto porque eu vi sair um médico da
sua casa, esta manhã...
- Olha, minha querida, ontem eu vi sair um militar da sua e nem por
isso você está em guerra, não é verdade?
***
 
Um pouco de humor prá começar a semana.
Tendência do dia: Tolerância Zero.
 
Estamos em implantação de novo parceiro de benefícios aqui na empresa, hoje vai ser um dia daqueles.
Tenho aula hoje - Pensamento Social Cristão - e o professor vai desencavar doutrina da Igreja, é mole?!
O maridão vai viajar, vai pra Erechim - volta só na sexta.
 
Então, só apelando prá um pouco de humor prá não ficar só na 'Tolerância Zero'.
 
***
 
Falando em humor - a gente morre e não vê tudo, né?
Ontem eu ouvia um pouco dos notíciarios, prá ficar por dentro da conjuntura política do país. Ando meio repunada de política, mas viver alienada também não é possível, temos que nos inteirar, senão não tem como pensar ou propor alternativas.
Enfim...
Numa destas ouvi uma declaração do presidente Lula, sobre a questão de ajudar financeiramente os bancos.
Ele dizia mais ou menos assim: "não tem graça despejar dinheiro em instituições bancárias. Ficam dizendo que estou propondo estatizar, e não é isso! Proponho em vez de deliberadamente dar dinheiro, sem garantia nenhuma... que o governo compre ações dos bancos, assim teria pelo menos uma certa garantia. Então quando o banco se recuperar, vende as ações e tem o dinheiro de volta para investir em outras prioridades."
Pensando no que está acontecendo na Europa e nos EUA, quase me levantei pra´aplaudir de pé.
Um pouco de vergonha na cara e respeito com o contribuinte não faz mal a ninguém.
Não acho graça nenhuma nesta história de socializar o prejuízo dos bancos, enquanto durante o tempo que as instituições deram MUITO lucro, este era todo privatizado.
Quer socialiar o preju??? socializa o lucro também...
Vamos nos respeitar!

24/10/2008

treinamentos comportamentais

Estamos numa fase aqui na empresa, de promover treinamentos comportamentais.
 
Basicamente se resumem em três blocos: Estilos de liderança / comunicação / feed back
 
Posso parecer piegas, mas ouso dizer que estas três competências deveriam vir formadas 'de casa'.
Não deveria ser habilidade 'básica' de todo ser humano conseguir se relacionar em grupo (afinal de contas foi esta habilidade que permitiu que nós sobrevivêssemos à era das cavernas), saber ouvir (lembro da velha comparação - temos uma boca e DUAS orelhas) e saber também trabalhar com as críticas (como vamos melhorar se não ouvimos o que os outros sentem e pensam sobre nós, ou então como vamos ajudar o outro a ser melhor - e consequentemente melhorar nossa relação  - se não estamos aptos a lidar com as duas vias da crítica?).
 
Apesar disso, é incrível como as pessoas não conseguem lidar bem com estas três dimensões, e em função disso tornam sua vida (e a dos coleguinhas) um inferno.
 
É o RH tendo que 'ensinar' o profissional a dizer 'obrigado', 'por favor' e 'me desculpe'.
 
fim da picada
 

22/10/2008

cansei...



Esta semana tem sido agitada, Feira do Livro em São Leopoldo... trabalhos na Faculdade, Viagem na semana passada que originou acúmulo de tarefas no trabalho.
affffeeee
Ainda bem que tudo na vida tem jeito!
Estou sendo um pouco menos babaca, e pensando um pouco mais em mim, principalmente no quesito "VIDA PROFISSIONAL".
É pecado mortal ser egoísta nesta dimensão da vida???
hein????

então é Natal....


E não é que já estamos com algumas lojas todas decoradas para o Natal?

Que loucura, né?

2008 praticamente já era!

Você já pensou no que vai pedir pro Papai Noel te trazer de presente?

Ou vai dizer que não crê mais no 'bom velhinho'?

20/10/2008

Não sei quantas almas tenho

Não sei quantas almas tenho.

Cada momento mudei.

Continuamente me estranho.

Nunca me vi nem acabei.

De tanto ser, só tenho alma.

Quem tem alma não tem calma.

Quem vê é só o que vê,

Quem sente não é quem é,

Atento ao que sou e vejo,

Torno-me eles e não eu.

Cada meu sonho ou desejo

É do que nasce e não meu.

Sou minha própria paisagem;

Assisto à minha passagem,

Diverso, móbil e só,

Não sei sentir-me onde estou.

Por isso, alheio, vou lendo

Como páginas, meu ser.

O que sogue não prevendo,

O que passou a esquecer.

Noto à margem do que li

O que julguei que senti.

Releio e digo: "Fui eu ?"

Deus sabe, porque o escreveu.

Fernando Pessoa

 

Belíssimo poema...

Me sinto assim às vezes, não sei quantas almas tenho.

13/10/2008

presente

dar presente?
estar presente?
ser presente?
 
Neste final de semana foi o dia das crianças,
o menino ganhou um vídeo game.
Agora os pais não mandam mais ele simplesmente 'sair de perto'
ele tem um amigo,
um amigo virtual.
 
Ele não escuta, mas obedece.
Eles não trocam carinho, mas golpes.
 
E o menino fica feliz, depois que bate até ver o adversário sangrar e cair.
 
Beleza de presente!
 
O presente tira dos pais o peso de estar presente.
 
E o que será que este presente ensinará a este menino?
 
Não consegui nem brincar com o menino, eu não tinha joystick, ele me achou sem graça.
 
Antes de ontem o menino corria pro meu colo, e brincar de cavalinho arrancava risadas sonoras deste menino, e a casa ganhava vida com sua alegria.
 

06/10/2008

DO MUNDO VIRTUAL AO ESPIRITUAL

Texto de Frei Betto
 
Ao viajar pelo Oriente, mantive contatos com monges do Tibete, da Mongólia, do Japão e da China. Eram homens serenos, comedidos, recolhidos em paz em seus mantos cor de açafrão.

Outro dia, eu observava o movimento do aeroporto de São Paulo: a sala de espera cheia de executivos com telefones celulares, preocupados, ansiosos, geralmente comendo mais do que deviam. Com certeza, já haviam tomado café da manhã em casa, mas como a companhia aérea oferecia um outro café, todos comiam vorazmente. Aquilo me fez refletir: 'Qual dos dois modelos produz felicidade?'

Encontrei Daniela, 10 anos, no elevador, às nove da manhã, e perguntei: 'Não foi à aula?' Ela respondeu: 'Não, tenho aula à tarde'. Comemorei: 'Que bom, então de manhã você pode brincar, dormir até mais tarde'. 'Não', retrucou ela, 'tenho tanta coisa de manhã...' 'Que tanta coisa?', perguntei. 'Aulas de inglês, de balé, de pintura, piscina', e começou a elencar seu programa de garota robotizada. Fiquei pensando: 'Que pena, a Daniela não disse: 'Tenho aula de meditação!'

Estamos construindo super-homens e supermulheres, totalmente equipados, mas emocionalmente infantilizados. Por isso as empresas consideram agora que, mais importante que o QI, é a IE, a Inteligência Emocional. Não adianta ser um superexecutivo se não se consegue se relacionar com as pessoas. Ora, como seria importante os currículos escolares incluírem aulas de meditação!

Uma progressista cidade do interior de São Paulo tinha, em 1960, seis livrarias e uma academia de ginástica; hoje, tem sessenta academias de ginástica e três livrarias! Não tenho nada contra malhar o corpo, mas me preocupo com a desproporção em relação à malhação do espírito. Acho ótimo, vamos todos morrer esbeltos: 'Como estava o defunto?'. 'Olha, uma maravilha, não tinha uma celulite!' Mas como fica a questão da subjetividade? Da espiritualidade? Da ociosidade amorosa?

Outrora, falava-se em realidade: análise da realidade, inserir-se na realidade, conhecer a realidade. Hoje, a palavra é virtualidade. Tudo é virtual. Pode-se fazer sexo virtual pela internet: não se pega aids, não há envolvimento emocional, controla-se no mouse. Trancado em seu quarto, em Brasília, um homem pode ter uma amiga íntima em Tóquio, sem nenhuma preocupação de conhecer o seu vizi­nho de prédio ou de quadra!

Tudo é virtual, entramos na virtualidade de todos os valores, não há compromisso com o real! É muito grave esse processo de abstração da linguagem, de sentimentos: somos místicos virtuais, religiosos virtuais, cidadãos virtuais. Enquanto isso, a realidade vai por outro lado, pois somos também eticamente virtuais…

A cultura começa onde a natureza termina. Cultura é o refinamento do espírito. Televisão, no Brasil - com raras e honrosas exceções -, é um problema: a cada semana que passa, temos a sensação de que ficamos um pouco menos cultos. A palavra hoje é 'entretenimento'; domingo, então, é o dia nacional da imbecilização coletiva. Imbecil o apresentador, imbecil quem vai lá e se apresenta no palco, imbecil quem perde a tarde diante da tela.

Como a publicidade não consegue vender felicidade, passa a ilusão de que felicidade é o resultado da soma de prazeres: 'Se tomar este refrigerante, vestir este tênis,­ usar esta camisa, comprar este carro, você chega lá!' O problema é que, em geral, não se chega! Quem cede desenvolve de tal maneira o desejo, que acaba­ precisando de um analista. Ou de remédios. Quem resiste, aumenta a neurose.

Os psicanalistas tentam descobrir o que fazer com o desejo dos seus pacientes. Colocá-los onde? Eu, que não sou da área, posso me dar o direito de apresentar uma su­gestão. Acho que só há uma saída: virar o desejo para dentro. Porque, para fora, ele não tem aonde ir! O grande desafio é virar o desejo para dentro, gostar de si mesmo, começar a ver o quanto é bom ser livre de todo esse condicionamento globalizante, neoliberal, consumista. Assim, pode-se viver melhor. Aliás, para uma boa saúde mental três requisitos são indispensáveis: amizades, auto-estima, ausência de estresse.

Há uma lógica religiosa no consumismo pós-moderno. Se alguém vai à Europa e visita uma pequena cidade onde há uma catedral, deve procurar saber a história daquela cidade - a catedral é o sinal de que ela tem história. Na Idade Média, as cidades adquiriam status construindo uma catedral; hoje, no Brasil, constrói-se um shopping center. É curioso: a maioria dos shopping centers tem linhas arquitetônicas de catedrais estilizadas; neles não se pode ir de qualquer maneira, é preciso vestir roupa de missa de domingos. E ali dentro sente-se uma sensação paradisíaca: não há mendigos, crianças de rua, sujeira pelas calçadas...

Entra-se naqueles claustros ao som do gregoriano pós-moderno, aquela musiquinha de esperar dentista. Observam-se os vários nichos, todas aquelas capelas com os veneráveis objetos de consumo, acolitados por belas sacerdotisas. Quem pode comprar à vista, sente-se no reino dos céus. Se deve passar cheque pré-datado, pagar a crédito, entrar no cheque especial, sente-se no purgatório. Mas se não pode comprar, certamente vai se sentir no inferno... Felizmente, terminam todos na eucaristia pós-moderna, irmanados na mesma mesa, com o mesmo suco e o mesmo hambúrguer do McDonald's…

Costumo advertir os balconistas que me cercam à porta das lojas: 'Estou apenas fazendo um passeio socrático.' Diante de seus olhares espantados, explico: 'Sócrates, filósofo grego, também gostava de descansar a cabeça percorrendo o centro comercial de Atenas. Quando vendedores como vocês o assediavam, ele respondia: 'Estou apenas observando quanta coisa existe de que não preciso para ser feliz.'
 
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Frugalidade, eis a chave da sustentabilidade!
Beijocas

25/09/2008

o que está acontecendo?



A rotina das pessoas está cada vez mais apertada...
é um corre corre danado, e neste 'vuco-vuco' deixamos de lado coisas simples, como tirar um tempo para um banho demorado e relaxante.
Tempo para curtir a família... para OUVIR os outros.
É faculdade, trabalho, grupos de estudo, trabalhos domésticos, filhos, reunião de condomínio...

Nesta semana fizemos um treinamento de desenvolvimento de pessoas aqui na empresa, e tivemos o tão saudável momento de feedback.
Me chamou a atenção a fala de um colega de trabalho, super gente fina, dizendo que ele se deu conta que deveria fazer feed back em casa também, com a esposa, pq não conversavam mais.
Que coisa, né?
Não sei se me assustou pelo fato de que eu e o meu véio sempre temos os 'momentos DR' (para Discutir a Relação).
Mas a gente cuida de alguns aspectos e deixa de lado outros mesmo... pois com o restante de minha família dificilmente tenho estes momentos 'DR', tão enriquecedores quando feitos com amor e verdade.
Sei lá, fiquei pensando em como tenho distribuído meu tempo, e minhas tarefas.
Ando meio desorganizadinha, que nem a guria da imagem.
(risos)

Sem mais para o momento....

19/09/2008

Música nativista não reflete o povo do RS

Música nativista não reflete o povo do RS, diz músico
 

A música e as danças usadas como símbolo do Rio Grande do Sul não refletem o povo gaúcho. Na avaliação do músico popular Pedro Munhoz, essa cultura difundida nas festividades do 20 de Setembro e perpetuada nas gravadoras, nos festivais e nos programas nativistas da televisão apenas cria no imaginário da população uma cultura que nunca foi a sua.

A reportagem é de Raquel Casiraghi e publicada pela Agência de Notícias Chasque, 19-09-2008.

Nem mesmo historicamente, analisa Munhoz, já que a tão festejada Revolução Farroupilha foi uma guerra dos latifundiários regionais contra o governo imperial. As danças, as músicas e os manuais criados nas décadas de 30 e 40 apenas reproduzem os costumes e fortalecem o domínio das classes gaúchas mais abastadas. A função do peão, destinada na história para o pobre branco e em algumas exceções para os negros, acabou sendo romantizada na cultura.

"A música, a cultura do Rio Grande expressa o latifúndio em toda a sua integralidade. Inclusive isso parte de músicos populares do estado, poetas, compositores, que muitos não têm ligação com o latifúndio mas que expressa esse interesse. A música do RS, eu diria que é uma das poucas que é tão arraigada a esse processo de poder. Tanto é que a Revolução Farroupilha é das poucas guerras no Brasil que não partiu do seio popular, não se criando nenhum vínculo com o povo. Cria-se através de quem criou todo esse processo ", argumenta.

O músico também critica o Movimento Nativista, criado na década de 70. Para Munhoz, o movimento apenas serviu para impor ainda mais essa cultura como sendo a do povo gaúcho. Ele defende a união dos artistas populares como alternativa ao estilo "Galpão Crioulo" dos programas de TV e dos festivais.

"Nas histórias dos festivais do RS tem muita coisa boa, muitos compositores bons, mas houve uma 'seleção natural' ou uma cooptação onde o que ficou é quem acena e quem concorda com o estabelecido. Então a música e a cultura gaúcha também estão ligadas a todo esse processo da indústria cultural em que se faz toda uma releitura das culturas regionais para que vire um produto de venda. Se existe o mercado urbano de música também existe o regional", diz.
http://www.unisinos.br/_ihu/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=16804

 

Estou há tempos para escrever sobre isso, mas esta matéria sintetiza super bem o meu pensamento.

Vivemos 'adorando' uma cultura que não é a nossa. É uma fantasia, que reforça a questão da desigualdade social e da supremacia de uma classe sobre outra.

Sem falar da questão de raça, lembrando do negro, que foi massacrado nesta guerra.

Enfim, espero que ajude a repensar sobre o que realmente representa o povo gaúcho, uma miscelânea de etnias...

Se não fossem os imigrantes, o estado teria sucumbido após esta guerra de poder, o trabalho COOPERATIVADO dos imigrantes foi o que garantiu a sobrevivência econômica.

Trabalho nas 'picadas', promovendo os pequenos produtores rurais (ex sem-terra) vivendo em regime de cooperação comunitária.

Vale realmente a pena repensar sobre o que somos nós, gaúchos... estancieiros???? acho que não hein?!?!?!

 

 

 
 

17/09/2008

Saudade

Sabe, não é fácil lidar com a saudade...

Ontem tive um momento de desabafo, com minha mãe e meu irmão, a mãe encontrou junto com as coisas que vieram do hospital (ela não tinha tido coragem ainda de abrir alguns pacotes) a documentação do pai, e os exames que eles realizaram lá, e que estavam no prontuário dele.
Ficou claro o que nosso amor e nossa esperança não permitia que víssemos... ele não tinha mais chance de recuperação.
Desde São Leopoldo, não tinha mais volta, o coração não parava de crescer...
Ficou claro que foi nossa insistência em manter nosso amor vivo, que o manteve aqui conosco.
O pai foi um guerreiro, lutou para viver estes dias todos.
E me orgulho disso, com toda sua limitação física, seu espírito não desistiu da vida. Nos preparou e se preparou para a travessia, ou como tão bem o cristianismo nomina – sua Páscoa!
Pai, sei que vamos nos encontrar, que esta separação não é definitiva.
Me orgulho de você, meu velho!
Obrigada por ensinar-nos a te amar, a nos amar, e a amar a vida, até seu último sopro.

:)

15/09/2008

Horário de Verão

Foi instituído o horário de verão, em parte do território nacional, através do Decreto nº 6.558, de 08.09.2008, publicado no DOU de 09.09.2008, que terá início à zero hora do dia 19 de outubro de 2008 e terminará à zero hora do dia 15 de fevereiro de 2009.

 

O horário de verão vigorará nos Estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e no Distrito Federal.

 

*** mais um serviço de utilidade pública...

Boa semana!

14/09/2008

Utilidade Pública!!!

Um post informativo...
Beijos, e bom final de semana!!!
6 erros que cometemos em casa e que
trazem grandes prejuízos à nossa saúde

Especializado em Saúde Pública e
em Marketing pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e em Engenharia da Qualidade
pela Universidade de São Paulo (USP), Roberto Figueiredo, autor de diversos
livros que tratam sobre os perigos dos alimentos contaminados dá dicas sobre
cuidados que devemos tomar no nosso dia-a-dia.

Confira:


1.
Carne debaixo da torneira
Erro: A água fará com que as bactérias penetrem
mais ainda, aumentando o risco de contaminação. Além disso, a carne tende a
ficar esbranquiçada, perdendo os nutrientes. Debaixo da torneira, só peixes,
para retirar as escamas e a barrigada.


2. Muito detergente na
esponja
Erro: É comum encharcarmos a esponja com detergente líquido, o que é
um erro. Como normalmente não é possível usar todo o detergente que ficou preso
na esponja, o resto é sempre usado na próxima lavagem. Aí está o grande
problema. Além do detergente, também fica acumulado resto de alimentos, que
podem no futuro trazer problemas à saúde.
Para se ter uma idéia, apenas oito
gotas de detergente já são suficientes, para um litro de água.



3. Tábua de carne de madeira
Erro: Boa parte das donas de
casa utilizam tábua de carne de madeira. Grande erro! Na tábua de madeira as
bactérias encontram o ambiente ideal para se proliferar. Procure sempre usar
tábuas de plástico.



4. Recipientes tampados na geladeira
Erro: Naturalmente quando colocamos um alimento na geladeira, costumamos
fazê-lo em um recipiente fechado. O problema está no fato de quê vai demorar
mais tempo para resfriar o alimento, fazendo com que as bactérias tenham tempo
suficiente para fazer a festa! O ideal é colocar tudo destampado e só depois de
mais ou menos duas horas tampar.



5. Leite condensado guardado na
lata, nunca!
Erro: Quase todo mundo guarda a lata de leite condensado na
geladeira, depois de aberta. O ideal é guardar o restante em um recipiente de
plástico ou vidro, e sempre servir com uma colher. Os dois furinhos feitos na
lata só servem para fazer com que entrem diversas bactérias.


6.
Formigas ignoradas
Erro: Consumir doces que foram atacados por formigas. As
formigas são consideradas até maiores agentes transmissores de bactérias que a
barata, pois ela consome os restos mortais dos insetos, além de passear por
todos os cantos sujos da casa. Doce com formiga deve ser jogado fora.

10/09/2008

Semana da pátria... de quem???


No domingo passado um amigo convidou meus sobrinhos para desfilar na semana da Pátria.
Aqui o desfile ocorrerá dia 13 de setembro, no sábado.
O tema que a escolinha dele vai representar é o índio.
Fiquei super feliz, tomara que consigam representar com dignidade este povo, que verdadeiramente é o povo 'dono da terra'.
Falamos que o Brasil fez 500 anos, coisa e tal... mas é uma certa cara de pau, né?
Quando os colonizadores chegaram aqui não encontraram a terra desabitada, e quando a dita 'independência' foi proclamada, também não libertou a todos...
Ainda hoje muitos povos indígenas vivem na marginalidade, como quem recebe migalhas para a subsistência, dadas pela mão dos 'posseiros'.
E a cultura deles é tão linda, temos tanto a aprender sobre respeito à vida e a mãe terra!
Que saibamos nos abrir para redescobrir estes valores fundamentais, né?

05/09/2008

frase para o dia


Não há razão para termos medo das sombras. Apenas indicam que em algum lugar próximo brilha a luz.
(Ruth Renkel)

04/09/2008

A vida de quem fica

 
Dossiê Luto
A vida de quem fica
A morte desorganiza, deprime. Mas o luto tem começo, meio e fim. Nesse processo, a dor da perda se transforma em saudade, e a vida continua, com outro sentido. Por Rosane Queiroz

Uma mulher vai até Buda com o filho morto nos braços e suplica que o faça reviver. Buda diz a ela que vá a uma casa e consiga alguns grãos de mostarda. Mas, para trazer de volta a vida do menino, esses grãos devem ser de uma casa onde nunca morreu ninguém. A mãe vai de casa em casa, mas não encontra nenhuma livre da perda.

A parábola budista explora a lição mais óbvia e mais difícil da vida. A dificuldade de encarar o fim como parte da existência é o que faz do luto uma experiên-cia tão assustadora. "A morte é sempre vista como um acidente de percurso ou um castigo divino", diz a psicóloga Clarice Pierre, especializada no atendimento de doentes terminais. Desde a infância o ser humano não é treinado para perder, mas para ter, acumular. "Os pais protegem os filhos das frustrações, e perder é essencial para entender que nada é permanente. E me refiro a perder desde jogos, até objetos e pessoas", diz Clarice.

Se o desapego budista é uma utopia, a preparação para encarar a morte de forma menos traumática é possível, e começa mesmo na infância. "Criança pode ir a velório e receber respostas honestas sobre a morte, em vez de explicações fantasiosas, como a de que a pessoa viajou ou virou uma estrela." No dia a dia, é preciso tratar as perdas como parte da vida. "Ensinar sobre a finitude ajuda a objetivar a existência, reduzindo a angústia existencial."

Os sintomas do luto são divididos em fases: choque, negação, raiva, depressão e aceitação. Nesse processo, a pessoa experimenta desinteresse pela vida, culpa, baixa auto-estima, angústia, revolta. A duração e a intensidade desses sentimentos vão depender do histórico de perdas da pessoa, e também do grau de relação com quem morreu (a perda mais dura seria a de um filho, pois quebra um ciclo "ilusoriamente previsível") e do tipo de morte. "Nas mortes traumáticas, acidente, suicídio, assassinato, pode haver uma fase de negação mais prolongada, a culpa e a revolta podem aparecer com mais intensidade", diz a psicóloga Maria Helena Bromberg, do 4 Estações, um centro de pesquisas sobre luto e atendimento a enlutados, em São Paulo.

"A princípio eu ia fazer uma loucura, queria matar ele, a família, todo mundo", diz o empresário Loudeber Castanho, 51, que perdeu a filha de 23 anos, assassinada a tiros supostamente pelo ex-namorado. O que o reteve e confortou foi "um lado espiritual" que a filha deixou. "Antes de morrer ela estava lendo 'Somos todos Inocentes', da Zíbia Gasparetto. Às vezes falava: 'Pai, dá uma lidinha no que eu sublinhei. E eu, na correria, não dava atenção. Depois, transtornado, comecei a rastrear as frases e a decifrar o que ela queria me dizer. Descobri que o espírito não morre. Foi a única coisa que me acalmou", diz.

Para superar o luto, é importante não sublimar a dor. "É para doer mesmo", diz Maria Helena Bromberg. Faz bem à família se reunir para chorar, conversar sobre o assunto, olhar retratos. Os rituais também ajudam, porque a recuperação é centrada na aceitação. "O velório permite que as pessoas se despeçam e que o enlutado seja reconhecido como tal", diz ela.
O período luto-casa dura cerca de dois meses. Aí cessam as visitas e a dor costuma piorar. É quando costuma ocorrer uma tentativa de resgatar o cotidiano anterior à perda, o que é impossível. A psicóloga Clarice Pierre diz ser importante, nesse estágio, se desfazer de objetos e roupas de quem morreu, e mudar hábitos. Muita gente muda de casa, de profissão, se engaja em uma causa.

Seis meses depois de perder a filha de 18 anos num acidente de carro, o casal Eduardo Carlos Tavares, médico, e Glaucia Rezende Tavares, psicóloga, se engajou na causa de amparo a enlutados. Criaram o grupo API -Apoio a Perdas Irreparáveis, que em um ano de existência reúne 37 casais, a maioria que perdeu filhos. Os encontros acontecem na casa de um dos integrantes, e são um espaço de expressão do luto. "Em muitas famílias, é tabu tocar no assunto. Mas à medida que falamos vamos nos transformando e ganhando força para retomar a vida. Depois de uma perda, ou a gente fica amarga, ou mais sensível. Nosso objetivo é adoçar a vida sem esquecer nem hipervalorizar a pessoa que se foi", diz Glaucia. Em São Paulo, o Grupo Fraterno, criado por três mães que há quatro anos perderam os filhos no mesmo acidente, se reúne semanalmente para estudar a doutrina espírita, trocar experiências e promover trabalhos sociais. "No grupo, quem está melhor, puxa o outro", diz Olga Braga de Araújo, 49, uma das mães. Os encontros chegam a reunir 80 pessoas.

De maneira geral, leva-se de um a dois anos para "elaborar a perda", no jargão dos especialistas. Nesse período vão ocorrer pela primeira vez as datas importantes: aniversário, Natal... Se os sintomas de luto persistem, é provável que a pessoa não esteja vivendo as etapas necessárias à superação. Freud, no texto "Luto e Melancolia", compara essas duas condições que encerram "o mesmo estado de espírito penoso, a mesma perda de interesse pelo mundo externo". Só que, no luto, diz Freud, "é o mundo que se torna pobre e vazio; na melancolia, é o próprio ego". Nos dois casos, existe uma oposição à realidade. Mas, no luto, "normalmente prevalece o respeito pela realidade", ou seja: uma hora termina e a alegria se torna, ao menos, possível.

O processo considerado "anormal" pelos especialistas tem duas reações opostas: ou a pessoa não sai do luto (é a mãe que arruma o quarto do filho, cultuando o morto todos os dias) ou nem sequer entra nele (a pessoa fica indiferente, não chora, age como se não tivesse acontecido). Nesse luto "adiado", a dor fica guardada em algum lugar "e um dia vem à tona", diz Maria Helena Bromberg.

Morte e transformação
A perda traz mudança de valores. "As pessoas passam a ter menos medo de errar, entendem que têm limites e vivem melhor o presente", diz a psicóloga Clarice Pierre.

Foi o que aconteceu com a decoradora Vitoria Herzberg, que há dez anos perdeu o filho Daniel, 18, de câncer. Ela diz ter passado por todas as fases do luto. "Ou você se envolve na vida, ou os vivos acabam desistindo de você."

Depois de três meses, Vitória retomou seu trabalho com decoração, mas, em meio a uma polêmica com um cliente sobre o tom de amarelo que forraria um sofá, viu que aquilo não fazia mais sentido. Largou a profissão. Há nove anos se dedica a orientar pacientes com câncer e seus parentes. Vitória diz que até hoje não se conforma com a ausência do filho, mas aprendeu a conviver com ela. "Antes eu perguntava: Por quê meu filho?. Hoje eu pergunto: Quem sou eu para não ser comigo?"

Onde procurar ajuda

São Paulo
4 Estações Instituto de Psicologia - tel/fax: 0XX-11-3051-2754
LELU - Laboratório de Estudos Sobre Luto da PUC-SP
tel: 0XX-11-3794-4647
Grupo Fraterno - tel: 0XX-11-5052-1840 ou 530-7544
Day Care Center (pacientes com câncer e familiares) - tel/fax: 0XX-11-853-3757/3061-2843 e-mail: daycare@mandic.com.br
Clarice Pierre - psicóloga tel: 0XX-11-881-2998

Porto Alegre
Serviço de Atendimento Psicológico da PUC-RS tel: 0XX-51-320-3500 ramal 3561

Goiânia
Grupo de Apoio Pós-óbito Infantil - Hospital Araújo Jorge tel: 0XX-62-212-7333 - pediatria

Belo Horizonte
Clínica SOS à Morte - tel: 0XX-31-282-3090 site: www.microplanet.com.br/~mgloria
API - Apoio a Perdas Irreparáveis tel: 0XX-31-282-5645

Rio de Janeiro
Instituto Nacional do Câncer - Centro de Suporte Terapêutico Oncológico (pacientes com câncer e familiares) tel: 0XX-21-577-4125

 

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